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Pedro Martins de Lima


Agradecimento a Pedro Martins de Lima

Pedro Martins de Lima está com a EFAO desde o seu início. Na verdade está com a EFAO desde a sua génese, tendo sido uma parte importante da inspiração que levou os seus fundadores a darem o passo decisivo para a formação da EFAO.


Na sua forma de estar, ou melhor, na sua forma de fazer sentir, Pedro Martins de Lima é uma fonte de inspiração para todos os que vacilam, para todos os que em determinada altura olham as ondas que se lhes apresentam no seu caminho e preferem a segurança da praia em vez da dureza e da incerteza das ondas.


Aquele, a quem se chama desde à muito tempo, "o Pai do Surf Português", tráz para a EFAO uma mensagem muito atual, ainda que carregada de uma história pessoal que nos transporta para as décadas de 40 e 50 do século XX.


Paulo Silva Pires, Vice-presidente da EFAO     27 dezembro, 2011

 





 


Sou Embaixador da EFAO

 

Foi com total surpresa quando a EFAO me abordou no sentido de me estender o convite de vir a ser Embaixador de Boa Vontade. Quando, porém, comecei a conhecer mais a fundo a EFAO, compreendi desde logo que havia uma enorme afinidade de ideais, valores, e princípios; e revi-me completamente na ideia da existência desta organização, da sua missão e dos seus objectivos.


Pedro Martins de Lima


Deste modo, vim não só a aceitar com muita honra esse cargo mas também a tomá-lo com um elevado sentido de responsabilidade perante o enorme desafio que se punha em frente de mim. Todos nós podemos individualmente fazer coisas, contribuir para a realização de um mundo melhor, por muito ínfima que possa parecer a nossa contribuição. Que poderei eu fazer? Como posso contribuir?

Pedro Martins de Lima
Pedro Martins de Lima 1

No surf aprendi que muitas vezes uma pequena onda cresce colossalmente, tornando-se enorme. Para que isso aconteça, basta encontrar uma boa e eficaz plataforma, uma praia com o declive certo, onde venha a desenvolver-se e a rebentar. Muitas vezes também uma pequena boa acção cresce para proporções antes impensadas, basta para tal encontrar o terreno fértil onde possa crescer e propagar-se. No nosso caso agora, temos perante nós todos um mar de pessoas, pessoas de todos os cantos do mundo, oriundas das mais diversas comunidades e culturas, mas todas com um mesmo destino: viver em paz e harmonia no nosso planeta Terra.

Neste sentido, peço que me ajudem também a ajudar: a ajudar no mar imenso da solidariedade e da cooperação para o desenvolvimento.

Em toda a minha vida foi no surf que tive o contacto mais íntimo com a natureza. Com ele aprendi da fonte inesgotável de vida e de alegria. Aprendi também que é importante partilhar e celebrar a vida em todos os momentos.

Obrigado.

Pedro Martins de Lima      15 dezembro, 2011

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Surf: A escola da Auto-confiança

 

"Ensina os teus Amigos a surfar, isso torná-los-á ainda melhores pessoas..."


O surf é um desporto violento. Em ondas grandes, é certamente o desporto mais violento que existe e, contudo, é extraordinariamente pacífico pois a sua violência não é contra as pessoas, é contra a força gigantesca do mar, dos elementos. Conseguir “vencer” ou, pelo menos, controlar a força das ondas, é uma fonte de auto-confiança.


Pedro e as suas pranchas

Na educação dos jovens, a “cultura do risco”, embora calculado, é um factor decisivo na formação do seu carácter, das suas capacidades de auto-defesa e iniciativa, e até, em casos extremos, da sua capacidade de sobrevivência.

Na nossa época, a super protecção das crianças está-se tornando um hábito por parte das famílias (com a melhor das intenções), mas com maus resultados no desenvolvimento das suas capacidades de auto-defesa e de auto-resolução de dificuldades


O surf e o bodyboard são, sem dúvida, desportos que podem compensar, de forma muito saudável, o lado negativo da protecção familiar e das longas horas sentado ao computador; são fonte de energia física e psíquica, tão importantes na formação dos jovens. Sem enfrentar riscos não se obtém auto-confiança e a consequente auto-estima. Sem auto-estima, o relacionamento com os outros, e connosco próprios, é difícil e triste; é o caminho da infelicidade. Atravessar as ondas, e depois descer uma onda, é uma fonte simples e mágica de alegria e momentânea felicidade e, ao mesmo tempo, uma fonte de força física e psíquica.


Pedro e as suas pranchas



Quando em 1946 fiz as minhas primeiras “carreiras nas ondas”, em Carcavelos, com as primeiras barbatanas vistas em Portugal e trazidas do Havai, e quando em 1947, com ajuda de uma pequena prancha de cortiça, fiz a minha primeira descida de onda em bodyboard, nunca imaginei a importância que a descoberta deste desporto teria para a minha formação pessoal, complementada em 1959 com a minha primeira prancha para surfar em pé… finalmente!


De todos os desportos que pratiquei (e foram quase todos), o surf foi o mais importante, física e psiquicamente. É também um desporto de partilha de pais para filhos e - porque não? - de filhos para pais que nunca tenham surfado, e que assim encontrarão uma forma de rejuvenescer… e acompanhar os filhos.


A minha mensagem é: Ensina os teus Amigos a surfar, isso torná-los-á ainda melhores pessoas… e partilha essa alegria com eles.



O SURF:A ESCOLA DO SENTIR, DO APRECIAR, DO VALORIZAR, DO COMPREENDER





"...é na valorização das coisas que lhes poderemos atribuir um sentido, um sentido para as nossas vidas..."


O surf é uma actividade que se pratica no mar, sobretudo na sua zona de rebentação. Por outro lado, é um desporto onde existe um contacto íntimo entre o nosso corpo e os elementos do meio físico natural envolvente: a água, a espuma, o sabor da água, a temperatura, os raios solares, o vento, e, claro está, toda a maravilhosa fauna e flora, assim como das rochas, que surgem sempre, aqui ou acolá. Nesse contacto, nós enfrentamos todos esses elementos completamente indefesos, para lá da prancha que nos sustem, ou do fato que nos protege um pouco mais do frio, ou do vento e do sol. Para lá daquilo que a prancha e o fato possam proteger, é evidente a nossa fragilidade para com a natureza, a sua fenomenal força, a sua aparente indiferença para com um simples ser humano em cima de uma tábua, apenas mais uma coisa insignificante, ali, no meio de tantas outras.

Porém, subsiste em nós surfistas um sentimento maravilhoso de que nada de mal nos acontecerá, que a natureza nos protege sempre, de uma forma ou outra. É difícil explicar donde vem este sentimento, mas está na base da nossa intrepidez, do sermos afoitos, aventureiros em procurar sempre mais outros mares, outras ondas, cada vez mais difíceis, mais desafiadoras, mas também mais conformes com a nossa natureza de conquistadores, de querermos sempre mais e melhor depois de já termos conquistado o que se tornou fácil.



Pedro Martins de Lima

Ao longo destes 66 anos em que tenho estado (continuamente) nesse contacto íntimo com o mar, tive o privilégio de ter conhecido muitos mares, todos eles nos mais diversos cantos do mundo, em praias ou zonas de rebentação, uns mais conhecidos e outros menos conhecidos, ou mesmo desconhecidos até. Esta aventura - que para mim não terminou ainda! – tem sido, também, fonte de um outro espírito, de um outro sentimento, e que tem vindo a crescer e a amadurecer em mim, quase sem me ter apercebido. É o sentimento do maior respeito pela natureza, do ambiente que nos mantém e sustem vivos, do nosso maravilhoso planeta, a Terra. Sem ela, que seríamos de nós? Isto pode parecer uma banalidade, mas a verdade é que o grau de destruição provocada pelo homem, e que eu tenho vindo a verificar desde os tempos em que pela primeira vez saltei para o mar, atingiu hoje uma proporção tal que urge tomarmos todos uma série de providências.

Quem fica indiferente à beleza de uma praia ou de uma encosta paradisíaca? Quem não consegue ficar maravilhado com a beleza da onda, a luz fascinante dos raios solares que atravessam a onda, a espuma, ou aquele banho mágico de luz e cor que nos inunda ao fim de tarde? O que eu quero dizer é que aqui se encontra provavelmente a origem da estética, da origem do sentimento do belo, do apreciar sem ter de explicar, apenas sentir para compreender.



Pedro e as suas pranchas

Expostos continuamente aos elementos naturais, as suas variadíssimas cores e formas, expostos pela vivência pessoal, do sentir, e do prazer que esse sentir dá, vamos continuamente educando os nossos sentidos e apurando esse sentimento do belo. Por isso me parece importante iniciar desde cedo, desde os nossos primeiros anos de vida, este percurso de escola, de escola de vida.

Não parece evidente que as crianças educadas em ambientes de suma beleza natural se tornam mais sensíveis ao belo? Não serão melhores pessoas no futuro? Não ficarão com uma melhor percepção do que é bom e do que é mau? Que podemos dizer de todos aqueles seres humanos que infelizmente nascem e crescem rodeados de meios degradados, poluídos, destruídos de uma forma ou outra? Poderemos dizer que ficam indiferentes, imunes, a tudo aquilo que se tornou feio, estragado, pelo hábito de todos os dias estarem expostos a isso?

Não é pois evidente que é pela educação do sentir que iremos progressivamente apurando a nossa sensibilidade para apreciar as coisas, valorizando-as e dando-lhes um significado?

 

E não é verdade que é na valorização das coisas que lhes poderemos atribuir um sentido, um sentido para as nossas vidas?


Pedro Martins de Lima      19 dezembro, 2011

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