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Preâmbulo e Perspetiva Histórica


A EFAO determina uma política geral que assenta em cinco pilares que fornecem uma base de entendimento sobre a estrutura, planificação e guia de atividades. Um desses pilares é o Quadro de Referência.

O quadro de referência está na origem da constituição da EFAO e é uma leitura sobre a situação mundial atual vista numa perspetiva histórica. Subsidiando uma compreensão geral, pretende estimular todos os envolvidos pelo entendimento da necessidade sobre a cooperação para o desenvolvimento, apontando para uma ética.


QUADRO DE REFERÊNCIA

Uma nova situação

Os avanços do conhecimento científico e dos desenvolvimentos tecnológicos induziram atualmente a mundialização de novos meios de comunicação, de transporte, de fatores de produção, de transformação, de informatização e de capacidade de desenvolvimento económico que, no seu conjunto, e a par, também, das evoluções ideológicas, das alterações das mentalidades e dos paradigmas operadas nos homens e nos vários grupos sociais, conduziram a humanidade a um ponto singular de viragem civilizacional, anunciadora de transformações profundas sobre a estrutura, a organização e a dinâmica da base material, social, política, intelectual e espiritual da vida dos homens, colocando-a atualmente face a uma nova situação.


Contingências e perigos

Esta nova situação tem revelado um universo de contingências e perigos inquietantes que poderão colocar a humanidade numa situação crítica que comprometa a vida e o desenvolvimento sustentável e harmonioso de todos os homens, povos e culturas, e em todas as suas dimensões, pondo em causa, também, as bases da relação e dos conflitos do homem para com ele próprio, do homem para com os outros homens, e do homem para com a natureza.


Uma nova ordem mundial

Nesta perspetiva, a humanidade encontra-se no dealbar da necessidade urgente de encontrar, conceber e realizar uma nova ordem mundial que ficará, por definição, na base de uma nova era histórica. Contudo, dever-se-á ter em conta as atuais assimetrias existentes entre os vários estágios de desenvolvimento encontrados nas várias comunidades, as fragilidades e debilidades associadas, e os antagonismos que essas diferenças poderão gerar. Uns e outros conduzem-nos a conhecer e a fazer conhecer as várias realidades históricas e o substrato cultural e espiritual das várias populações, assim como a criar um enfoque de ação nos países mais desfavorecidos, ou em vias de desenvolvimento, e nos grupos sociais mais carentes e necessitados.


Desafios e oportunidades

Neste sentido, esta nova situação proporciona, também, novos desafios e oportunidades, que deverão ser tomados responsavelmente por todos os homens de todos os lugares e culturas, com o objetivo de se fazer mais e melhor pela solução dos principais e fundamentais problemas atuais que a humanidade enfrenta, nomeadamente a base material e energética da civilização, a organização da sociedade mundial, e o estabelecimento de um desenvolvimento sustentável em harmonia com o meio ambiente natural.


O papel das instituições

Deste modo, é necessário criarem-se instituições que promovam a reunião das condições necessárias e suficientes para trazer, de uma forma organizada e funcional, o concurso de todos aqueles que pelo esforço do seu pensamento, do seu trabalho, da sua cooperação e solidariedade, e do exemplo da sua obra realizada, possam contribuir para estimular, elucidar, questionar, estudar, investigar, ensinar, educar, difundir, ajudar, apoiar, responder e levar a cabo realizações de acções concretas e definidas para a construção dessa nova ordem mundial.


Os tempos atuais

Os tempos atuais são de reflexão, de preparação e de construção. O mundo moderno trouxe-nos até um ponto onde se avista o grande vazio do futuro próximo, e uma ponte teremos de construir para ultrapassar as ambiguidades e paradoxos da nossa era. O longo caminho histórico percorrido pela humanidade tem-nos apurado um certo sentido de solidão cósmica a que o homem tem, ao longo dos tempos, tentado sublimar pela construção de realidades sobrenaturais, pela possibilidade de viajar ou se transportar para outros mundos, ou pela formulação de paraísos. Em todos os momentos da sua história neste planeta o homem tem-se afligido pelo drama da sua existência, pela consciência que tem ao enfrentar as perenes questões que assombram a sua vida: quem somos, de onde vimos, para onde vamos.


A família humana

Este percurso trouxe-nos de volta à nossa casa, ao nosso maravilhoso planeta, e nos tempos hodiernos tem gradualmente evoluído em todos nós um certo sentido do belo, e a ideia da harmonia fraterna de todos os homens de todas as culturas e de todos os tempos; pois todas as formulações e realizações na história, com todas as suas sublimes descobertas, mas também com os seus erros inauditos, não mais foram que os passos trilhados na caminhada civilizacional, e que nos trouxeram, afinal, a um ponto final que simultaneamente é um ponto de partida: os dias de hoje. Da pequena família nuclear que a nossa condição biológica nos impõe, chegámos à grande unidade que é a família humana.


Um novo espírito

Desse sentido do belo nasce o entendimento que é necessário sentir as coisas de modo a compreendê-las e a encontrar-lhes um sentido e um valor. Assim, tem evoluído o sentimento ecológico, que o mundo natural é para ser apreciado e não explorado ou degradado. Na base disto tudo, porém, está a organização social de toda a família humana, pela partilha de ideais, valores e princípios universais, que deverão criar uma base de concórdia e harmonia, sem ferirem as idiossincrasias de cada um ou as especificidades de cada comunidade. Em tudo, porém, é necessário um novo espírito, um espírito que une e dê estrutura ao nosso futuro próximo.


Os Fundadores da EFAO

Do entendimento destas considerações e da necessidade sentida em tomar em mão a responsabilidade assumida em corresponder a estes desígnios, conduziram os Fundadores à criação da EFAO que se define, organiza e funciona pelos termos e condições que se encontram espelhados nos seus atos constitutivos.